Por Nagila Damasceno, nutricionista* — 14 out 2026, 17h39
Um levantamento inédito da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), feito em municípios do interior, do litoral e na capital, mostra que as opções alimentares e a frequência com que as pessoas verificam o próprio peso continuam a influenciar o risco cardiovascular.
Consumo de alimentos: distanciamento entre in natura e industrializados
No questionário aplicado, os homens relataram, em sua maioria, consumir mais produtos industrializados: 27% informaram que alimentos industrializados predominam na sua alimentação diária, 39% disseram consumir principalmente alimentos in natura e 34% declararam ter um padrão equilibrado entre os dois grupos.
Entre as mulheres, 16% apontaram predominância de industrializados, 46% afirmaram priorizar alimentos in natura e 38% disseram manter um equilíbrio entre itens frescos e processados.
Por que alimentos in natura protegem o coração
Alimentos in natura ou minimamente processados — como frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas — fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos que favorecem o equilíbrio metabólico e reduzem fatores de risco cardiovascular.
Ultraprocessados: definição, exemplos e sinais para identificá‑los
Os ultraprocessados são formulações industriais elaboradas a partir de substâncias extraídas ou derivadas de alimentos e frequentemente enriquecidas com açúcar, sódio, gorduras, corantes, aromatizantes e outros aditivos. Exemplos comuns são refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo e embutidos.
Uma forma prática de identificá‑los é observar a lista de ingredientes: quanto mais extensa e repleta de nomes pouco familiares ou aditivos, maior a probabilidade de se tratar de um ultraprocessado. Reduzir a presença desses produtos na rotina é recomendado para preservar a saúde vascular a longo prazo.
Monitoramento do peso: hábito mais frequente entre mulheres
O levantamento também avaliou a frequência com que as pessoas se pesam. Segundo a pesquisa, 72% das mulheres disseram ter se pesado recentemente, ante 64% dos homens. Por outro lado, 21% das mulheres e 26% dos homens relataram não se pesar há mais de um ano; 7% das entrevistadas e 10% dos entrevistados disseram não lembrar ou nunca terem se pesado.
Acompanhar o peso não é apenas uma questão estética: excesso de peso e obesidade elevam o risco de hipertensão, diabetes tipo 2, alterações no perfil lipídico e outras condições que sobrecarregam o coração. O tecido adiposo em excesso participa de processos inflamatórios e metabólicos que aumentam esses riscos.
Recomendações práticas
- Basear a alimentação em alimentos frescos ou minimamente processados e limitar ultraprocessados.
- Ler a lista de ingredientes e preferir produtos com composição simples.
- Monitorar indicadores de saúde, como peso corporal, e adotar atividade física regular.
Essas medidas combinadas — dieta equilibrada, exercício e vigilância de sinais corporais — têm papel central na prevenção de doenças cardiovasculares.
*Nagila Damasceno é nutricionista e coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP)
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via VEJA SAUDE