Por Ingrid Luisa — 20 out 2026
Um estudo recente que avaliou dados de 17 mil participantes registrados em um banco de saúde pública do Reino Unido concluiu que o benefício dos alimentos de origem vegetal sobre o peso corporal depende do grau de processamento desses produtos.
Os pesquisadores registraram a ingestão alimentar dos participantes e acompanharam, em média, por cinco anos as mudanças no índice de massa corporal (IMC) e na circunferência da cintura. O resultado mostrou que um consumo mais elevado de vegetais, frutas e outros alimentos vegetais minimamente processados esteve associado a menor probabilidade de aumento do IMC e da medida da cintura.
Em contrapartida, quando a análise separou os produtos vegetais ultraprocessados — categorias que incluem alimentos com muitos aditivos, altas quantidades de açúcares e gorduras ou que passaram por vários estágios industriais — a associação foi invertida: maior consumo dessas versões ultraprocessadas esteve ligado a maior risco de ganho de peso.
Os autores destacam na conclusão do trabalho a necessidade de considerar não apenas a origem dos alimentos (vegetal ou animal), mas também o seu nível de processamento ao avaliar efeitos sobre a saúde e o peso corporal.
Contextualmente, o grau de processamento costuma alterar o perfil nutricional dos alimentos: produtos minimamente processados tendem a preservar fibras, água e nutrientes, além de terem menor densidade calórica. Já itens ultraprocessados frequentemente apresentam maior energia por porção, menos fibras e a presença de ingredientes e aditivos que podem facilitar o consumo em excesso.
Exemplos práticos ajudam a entender a diferença: uma fruta inteira ou legumes cozidos oferecem fibras e saciedade, enquanto bebidas adoçadas à base de fruta, snacks salgados ou hambúrgueres vegetais altamente processados podem entregar mais calorias e menos sensação de plenitude por porção.
Em termos de recomendação prática, os resultados reforçam orientações já difundidas por especialistas em nutrição: priorizar alimentos vegetais in natura ou minimamente processados e ter atenção a alternativas vegetais ultraprocessadas, especialmente se o objetivo for manutenção ou perda de peso.
O estudo não exclui o papel positivo geral das dietas ricas em vegetais, mas acrescenta evidência de que a simples classificação por origem (veg/hortaliças) não basta para prever impacto sobre o ganho de peso — o processamento faz diferença.
Para leitores que desejam aplicar a mensagem: prefira frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas em formas pouco processadas; leia rótulos e limite produtos industrializados à base de plantas que contenham muitos ingredientes artificiais, açúcares ou gorduras adicionadas.
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via VEJA SAUDE