Share

Periodontite e perda de dentes podem estar ligadas à redução do hipocampo, indicam estudos

Periodontite e perda de dentes podem estar ligadas à redução do hipocampo, indicam estudos

Por Mariza Tavares | Rio de Janeiro | (atualizado)

Um estudo publicado na revista Neurology aponta associação entre doenças da gengiva, perda dentária e redução do volume do hipocampo — região cerebral essencial para memória e uma das primeiras afetadas pelo Alzheimer. Os autores ressaltam que os achados não provam causalidade definitiva, mas indicam uma possível relação entre saúde oral e alterações cerebrais.

Coautor da pesquisa, o professor Satoshi Yamaguchi, da Universidade Tohoku (Japão), afirmou que, na população idosa, a periodontite tende a provocar retração gengival e perda de dentes, e por isso é importante investigar se esse quadro contribui para o desenvolvimento de demência. Segundo os pesquisadores, a condição poderia comprometer áreas do cérebro responsáveis por memória e raciocínio.

O levantamento avaliou participantes com idade média de 67 anos que, no início do estudo, não apresentavam distúrbios de memória. Todos passaram por exame odontológico e por ressonância magnética para mensurar o volume do hipocampo. Após quatro anos, a nova rodada de exames mostrou que periodontite de moderada a severa e perda dentária se associaram a alterações no hipocampo.

Os autores explicam que infecções e inflamação crônica na boca liberam mediadores inflamatórios na corrente sanguínea que, teoricamente, podem alcançar o sistema nervoso central e contribuir para processos associados à demência. Em resposta, alguns países têm ampliado o acesso a cuidados odontológicos para idosos — um exemplo citado pelos pesquisadores é um programa nacional que oferece limpeza, tratamento de canal e implantodontia para pessoas acima de 65 anos.

Em paralelo, um estudo da Universidade de Cambridge analisou o impacto da atividade física sobre a qualidade de vida de pessoas com mais de 60 anos. Cerca de 1.400 participantes foram monitorados por acelerômetros e responderam questionários sobre bem‑estar que incluíam itens sobre autonomia, dor e ansiedade. A pontuação de qualidade de vida usada variava de 0 a 1 — quanto mais próxima de zero, pior o índice — e níveis baixos estiveram associados a maior risco de hospitalização e morte prematura.

O acompanhamento durou seis anos e mostrou que, em média, homens e mulheres passaram a se exercitar 24 minutos a menos por dia; o sedentarismo aumentou 33 minutos diários entre os homens e 38 minutos entre as mulheres. De acordo com os pesquisadores, uma hora de atividade física por dia estava associada a um aumento de 0,02 na pontuação de qualidade de vida, enquanto cada minuto a menos de exercício correspondia a uma queda de 0,03 no placar. Na análise apresentada, uma redução de 15 minutos de atividade resultaria em uma nota de 0,45.

Os autores do estudo de Cambridge lembram que a recomendação geral é de 150 minutos de atividade moderada por semana, mas destacam também benefícios simples, como interromper longos períodos sentado — por exemplo, levantando‑se ao longo do dia.

Especialistas consultados pelos trabalhos defendem que medidas preventivas — higiene bucal regular, tratamento de problemas periodontais e manutenção de atividade física — e políticas públicas que aumentem o acesso a cuidados odontológicos para idosos podem ser úteis como estratégias integradas de promoção da saúde no envelhecimento.

Embora as pesquisas reforcem a ligação entre saúde bucal, estilo de vida e fatores cognitivos, os autores alertam que são necessários estudos adicionais para esclarecer mecanismos e confirmar se a melhoria do tratamento odontológico reduz de fato o risco de declínio cognitivo.

Leia também: Molho de tomate caseiro rico em carotenoides reduz gordura no fígado, aponta ensaio

via GLOGO SAUDE

Sobre o autor

Ademar D. Batista

"Editor do portal Saúde Energética. Técnico e entusiasta de biohacking, utiliza sua sólida formação analítica para investigar as mais recentes descobertas científicas sobre longevidade, nutrição funcional e saúde preventiva. Dedica-se a traduzir estudos biomédicos complexos em hábitos simples e práticos para quem busca envelhecer com alta performance."

Deixe um comentário