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Cura ou remissão do câncer: saiba quando um paciente é considerado curado

Cura ou remissão do câncer: saiba quando um paciente é considerado curado

Pacientes, familiares e até profissionais da saúde às vezes usam de forma intercambiável os termos cura e remissão ao falar de câncer. Médicos consultados por esta reportagem dizem que, embora possam parecer sinônimos, eles representam situações distintas na prática clínica.

O que é cura e por que o prazo de cinco anos importa

Para Rodrigo Calado, professor titular de hematologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, considera‑se cura quando o câncer foi erradicado do organismo. No entanto, essa afirmação só pode ser feita com segurança depois de, pelo menos, cinco anos sem sinais da doença. Antes desse período, mesmo sem achados em exames, o termo mais adequado é remissão.

Remissão: ausência detectável da doença, não necessariamente ausência total

Remissão significa que exames não identificam mais tumores. Isso pode acontecer porque a enfermidade foi eliminada ou porque ficou em níveis tão baixos que os métodos diagnósticos atuais não a detectam. Por isso, pacientes em remissão são mantidos em acompanhamento contínuo para identificar qualquer recidiva precoce.

Rotina de vigilância após remissão

  • Nos primeiros meses após a remissão, o acompanhamento costuma ser mais frequente: exames a cada três meses, depois em intervalos de quatro e seis meses e, com o tempo, sessões anuais, conforme descrito por Vanderson Rocha, professor de hematologia, hemoterapia e terapia celular da Faculdade de Medicina da USP e coordenador nacional de terapia celular da rede D’Or.
  • Em muitos casos, a vida cotidiana pode retornar gradualmente: cerca de três meses após a remissão a pessoa costuma retomar atividades normalmente; para quem realizou transplante de medula, esse prazo pode chegar a aproximadamente seis meses, dependendo do tipo de procedimento.

Exames usados para detectar sinais da doença

Entre os métodos empregados para rastreamento estão o PET‑CT (tomografia por emissão de pósitrons) e testes sanguíneos que identificam fragmentos de DNA tumoral circulante. Esses exames ajudam a monitorar a presença de doença residual mínima e a orientar decisões clínicas.

CAR‑T Cell: como funciona e situação no Brasil

A terapia CAR‑T Cell age modificando as próprias células de defesa do paciente em laboratório, para que reconheçam e ataquem células cancerosas. No Brasil, uma versão da técnica vem sendo aplicada em ambiente experimental pela USP em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, por vezes em uso compassivo, quando a Anvisa autoriza a aplicação em pacientes em estágio avançado.

  • Até agora, 14 pacientes foram tratados no estudo financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); o atendimento ocorreu no Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Em todos os casos do estudo brasileiro houve redução de ao menos 60% dos tumores.
  • O CAR‑T mira, principalmente, três tipos de câncer: leucemia linfoblástica B, linfoma não‑Hodgkin de células B e mieloma múltiplo; o tratamento para mieloma ainda não está disponível no país.
  • Atualmente, fora dos estudos, a terapia existe no setor privado no Brasil a um custo mínimo estimado em R$ 2 milhões por paciente.

Produção, expansão e custos do estudo

Em 2021 foi formalizada uma parceria que resultou na instalação de duas unidades de produção — uma na Cidade Universitária, em São Paulo, e outra em Ribeirão Preto — com capacidade inicial projetada para 300 tratamentos por ano. O estudo clínico para ampliar a oferta pública tem custo estimado em R$ 60 milhões e, segundo seus proponentes, poderia representar uma economia de cerca de R$ 140 milhões em comparação aos preços praticados pela iniciativa privada.

A expectativa apresentada pelos pesquisadores é obter apoio e financiamento do Ministério da Saúde para viabilizar o tratamento público. A previsão era começar o estudo em agosto (ano do noticiário original). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que tem dado prioridade às análises relacionadas ao projeto e mantido interlocução com a equipe para aprimorar o desenho do ensaio e a documentação necessária.

Resultados internacionais e situação de cura

Casos tratados com CAR‑T em outros países, especialmente nos Estados Unidos, começaram há cerca de dez anos e mostram que uma parcela significativa dos pacientes (mais de 50% em séries publicadas) alcançou cura. No Brasil, contudo, nenhum paciente tratado no estudo foi formalmente considerado curado — o primeiro caso tratado no país data de 2019, portanto ainda abaixo do marco dos cinco anos para confirmação.

Casos clínicos: relatos do estudo brasileiro

Dois dos pacientes acompanhados no estudo ilustram diferenças entre remissão, seguimento e o impacto da terapia:

  • Paulo Peregrino, publicitário de 61 anos que convivia com câncer há 13 anos, apresentou remissão completa um mês após receber o CAR‑T. Ele recebeu alta no domingo, 28 de maio de 2023, e descreveu o resultado como uma conquista coletiva entre fé, ciência e apoio social. Os médicos relataram surpresa pela rapidez e intensidade da resposta observada nas imagens de PET.
  • Bruno Marques Giovanni, educador físico que enfrentou uma leucemia agressiva por três anos, retomou a rotina há cerca de um ano e meio. Ele segue retornando ao hospital a cada três meses para exames. Como lembram os especialistas, apenas cinco anos sem sinais dos tumores permitem avaliar a cura definitiva.

O que pacientes devem esperar

Pacientes em remissão devem manter o seguimento médico e fazer os exames solicitados: essa vigilância é fundamental para detectar recidivas em estágio inicial, quando as chances de intervenção eficaz costumam ser maiores. Terapias inovadoras como o CAR‑T Cell oferecem novas oportunidades para casos refratários, mas o estado de cura é avaliado a longo prazo, com critérios bem estabelecidos na oncologia.

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via G1 SAUDE E CIENCIA

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