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Como proteger os joelhos e quando a cirurgia se torna necessária

Como proteger os joelhos e quando a cirurgia se torna necessária

Por Mariza Tavares — Jornalista. Rio de Janeiro, 04/06/2023 (atualizado em 04/06/2023).

Especialistas alertam que os joelhos exigem cuidados ao longo da vida: lesões dos meniscos e da cartilagem são comuns com o envelhecimento e podem evoluir para artrose, uma degeneração progressiva da cartilagem que causa dor, rigidez e perda de função.

Em entrevista, o ortopedista Marco Demange — mestre e doutor pela Faculdade de Medicina da USP, professor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da mesma instituição e pós‑doutor pelo Hospital for Special Surgery, vinculado à Universidade de Cornell — destacou medidas práticas para proteção da articulação e esclareceu quando a cirurgia é a melhor opção.

Principais recomendações para preservar os joelhos

  • Evitar carga excessiva e repetida sobre as articulações, seja por sobrepeso seja por atividades de alto impacto.
  • Reduzir exposições a traumas intensos, como torções ou pancadas diretas no joelho — riscos presentes em alguns esportes recreativos.
  • Manter e fortalecer a musculatura da coxa (especialmente quadríceps) e a musculatura estabilizadora do tronco (quadril, abdômen e região lombar), que protegem a articulação ao distribuir as forças.

Exercícios indicados e os menos recomendados após os 50–60 anos

Para quem já passou dos 50 ou 60 anos, os exercícios resistidos (musculação) e as atividades aeróbicas de baixo impacto são os mais eficazes para preservar a estrutura articular e a capacidade funcional. Exemplos recomendados incluem natação, caminhada leve, remo e exercícios em aparelhos elípticos — incluindo esteira e bicicleta ergométrica e simuladores de subida de escada.

Devem ser evitados movimentos que gerem impacto frequente e intenso, como pular e saltar, além de esportes com risco de trauma significativo ou contato físico frequente, como partidas de futebol em que há colisões.

Quando o tratamento não cirúrgico pode ser insuficiente

Nos casos avançados de artrose, em que o joelho apresenta instabilidade (‘‘falha’’ ao caminhar), dor constante, limitação importante da mobilidade ou deformidades marcantes que alteram o alinhamento, as alternativas conservadoras muitas vezes não conseguem restituir uma boa qualidade de vida. Nesses cenários, a cirurgia costuma ser considerada.

Tipos de cirurgia e indicações

A artroscopia — procedimento menos invasivo frequentemente usado para tratar lesões meniscais — ainda é o mais realizado em pacientes a partir dos 50 anos, mas sua efetividade é limitada em casos de artrose avançada. Para osteoartrose severa, a cirurgia com melhor resultado é a substituição articular por prótese de joelho (artroplastia).

Segundo observações do especialista, a implantação de próteses de joelho tem crescido globalmente e, em termos percentuais, a maioria dos procedimentos concentra‑se na faixa etária entre 50 e 65 anos. Estimativas apontam para aumento expressivo na demanda por implantes na próxima década — uma projeção citada no contexto aponta crescimento de 673% nas próteses de joelho no mundo.

Próteses customizadas: vantagens e limitações

Próteses confeccionadas sob medida para cada paciente são uma alternativa mais cara, mas que pode trazer resultados superiores. Como o implante tem formato adaptado ao indivíduo, geralmente não requer grandes ajustes nos ossos ou nos ligamentos durante a cirurgia. O desfecho costuma ser a sensação de ter um “joelho mais próximo do normal”, possibilitando maior amplitude de atividades físicas recreacionais para muitos pacientes.

Reabilitação pós‑operatória

Independentemente do tipo de prótese, a recuperação exige exercícios regulares. A fisioterapia e o treinamento físico visam recuperar a massa e a força muscular perdidas durante anos de menor uso, consequência da dor e da degeneração articular. A adesão ao programa de reabilitação é determinante para a função final do membro.

O papel das terapias com células‑tronco

Tratamentos ortobiológicos que utilizam produtos com presença de células‑tronco mesenquimais têm demonstrado potencial para modular a dor e, em alguns casos, reduzir a velocidade de progressão da artrose. No entanto, trata‑se de uma área em investigação: estudos continuam em andamento e, nos próximos anos, espera‑se maior definição sobre indicações, eficácia e segurança dessas abordagens.

Conclusão

Prevenção por meio do controle de peso, fortalecimento muscular e escolha de atividades de baixo impacto é a estratégia inicial para preservar os joelhos. Quando a artrose progride a ponto de comprometer a marcha, a mobilidade e a qualidade de vida, a substituição por prótese do joelho, inclusive a opção por implantes personalizados, representa hoje a alternativa cirúrgica com melhores resultados documentados. Novas terapias biológicas podem complementar o arsenal terapêutico, mas ainda demandam mais estudos para uso rotineiro.

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via G1 SAUDE E CIENCIA

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