Share

CNPEM recebe público em Campinas para ‘Ciência Aberta’ e mostra o acelerador Sirius em 85 atividades

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), abriu suas instalações neste sábado, 17 de junho de 2023, para o evento Ciência Aberta, que levou ao público o Sirius — um dos aceleradores de partículas mais avançados do mundo — e outros laboratórios dedicados a biociências, nanotecnologia e biorrenováveis.

Durante a programação, adultos e crianças puderam participar de 85 atividades interativas, entre oficinas, palestras, demonstrações tecnológicas e práticas realizadas dentro dos laboratórios. As atividades tiveram início às 8h e se estenderam até as 17h, com o objetivo de aproximar a sociedade do cotidiano e das aplicações da pesquisa científica.

O dia, porém, teve tom de pesar no CNPEM: na noite de sexta-feira, 16 de junho de 2023, o pesquisador João Leandro Brito Neto, de 39 anos, foi vítima de um atentado em Campinas e morreu baleado enquanto conduzia uma motocicleta da marca BMW. Em nota, a direção do centro manifestou profundo pesar pela perda e informou que o fato foi sentido especialmente pela equipe que atua nas linhas de luz do Sirius.

O CNPEM ressaltou que João Leandro integrava o grupo de Controle e Integração da Divisão de Engenharia de Linhas de Luz e que era um voluntário engajado nas edições anteriores do Ciência Aberta. A instituição concluiu pedindo que a comunidade interna se apoie mutuamente, compartilhe lembranças do colega e dedique as atividades do dia à sua memória.

O que é o Sirius?

O Sirius é o principal projeto científico brasileiro e funciona como um laboratório de luz síncrotron de quarta geração. Ele produz uma forma de radiação altamente intensa — comparada a um “raio X superpotente” — usada para investigar a estrutura de materiais em escala atômica e molecular.

  • Os elétrons são acelerados a velocidades próximas à da luz e percorrem um túnel com 500 metros de extensão.
  • Esses elétrons dão cerca de 600 mil voltas por segundo no anel acelerador antes de serem desviados para as estações experimentais, chamadas linhas de luz.
  • O desvio é feito por ímãs de alta potência, que geram a luz síncrotron usada nos experimentos.
  • O feixe resultante, embora extremamente brilhante, é invisível a olho nu e tem espessura cerca de 30 vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo.

A iniciativa Ciência Aberta tem como objetivo aproximar pesquisadores e público, mostrando aplicações práticas e processos de investigação científica. Eventos desse tipo ajudam a divulgar investimentos e infraestrutura nacionais em ciência, além de inspirar estudantes e interessados nas diversas áreas de pesquisa presentes no CNPEM.

Leia também: Negligência e racismo: desigualdades comprometem a velhice negra e aumentam risco de Alzheimer

via G1 SAUDE E CIENCIA

Sobre o autor

Deixe um comentário