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Saúde bucal pode reduzir volume do hipocampo, mostram estudos — risco ligado ao Alzheimer

Saúde bucal pode reduzir volume do hipocampo, mostram estudos — risco ligado ao Alzheimer

Por Mariza Tavares

Rio de Janeiro — 11/07/2023 (atualizado em 11/07/2023)

Um trabalho publicado na revista Neurology na semana passada aponta que problemas sérios na saúde oral — em especial periodontite (doença das gengivas) e a perda de dentes — estão associados à redução do volume do hipocampo, estrutura cerebral fundamental para a memória e entre as primeiras afetadas pela doença de Alzheimer. Os autores ressaltam que os achados sugerem uma relação, mas não estabelecem prova definitiva de que a doença bucal cause demência.

O estudo acompanhou participantes com idade média de 67 anos que, no início, não apresentavam distúrbios de memória. Todos foram submetidos a exames odontológicos e a ressonância magnética para medir o volume do hipocampo. Após quatro anos de acompanhamento, os pesquisadores observaram que indivíduos com periodontite moderada a severa e aqueles com perda dentária apresentaram alterações na região hippocampal.

Segundo Satoshi Yamaguchi, professor da Universidade Tohoku (Japão) e coautor do trabalho, a progressão da periodontite na velhice — que leva à retração da gengiva e à perda dos dentes — torna essencial investigar como esse quadro pode influenciar o desenvolvimento de demência. Para Yamaguchi, os resultados indicam que a saúde oral pode afetar áreas do cérebro responsáveis pela memória e pelo raciocínio.

Os pesquisadores explicam um possível mecanismo: a boca com inflamação crônica funciona como fonte de agentes inflamatórios e microrganismos que podem alcançar a corrente sanguínea e, potencialmente, o cérebro, contribuindo para processos que favorecem lesões neurológicas.

Como resposta a preocupações com a saúde oral da população idosa, iniciativas públicas já existem em alguns países. Em Israel, por exemplo, há um projeto ambicioso para oferecer atendimento odontológico amplo a pessoas com 65 anos ou mais, incluindo limpeza, tratamentos endodônticos e implantes, com o objetivo de recuperar e preservar a saúde bucal dessa faixa etária.

Outro estudo: sedentarismo e qualidade de vida em idosos

Em paralelo, pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Cambridge analisou os impactos da redução da atividade física em pessoas acima de 60 anos. O trabalho monitorou cerca de 1.400 participantes por seis anos com o uso de acelerômetros — dispositivos que registram o nível de movimento — e aplicou questionários sobre bem‑estar que avaliaram capacidade de autocuidado, presença de dor e sintomas de ansiedade.

Os resultados mostraram que, em média, homens e mulheres passaram a se exercitar 24 minutos a menos por dia ao longo do acompanhamento; o tempo sedentário aumentou 33 minutos diários entre os homens e 38 minutos entre as mulheres. Os pesquisadores associaram maior atividade física — especialmente de intensidade moderada a vigorosa, que eleva a frequência cardíaca — a melhor pontuação de qualidade de vida. No estudo, uma hora de atividade por dia correspondia a um aumento de 0,02 na nota de qualidade de vida medida; cada minuto a menos de exercício estava relacionado a uma queda de 0,03 nessa mesma pontuação.

Os autores lembram ainda que a prática regular de exercícios está ligada à redução do risco de doenças como doença coronariana, acidente vascular cerebral, diabetes e alguns tipos de câncer, e que, mesmo quando a meta recomendado é de 150 minutos semanais, idosos obtêm benefícios se conseguirem interromper longos períodos sentado, por exemplo levantando‑se com frequência.

O que fazer

  • Manter higiene oral regular e consultas odontológicas para prevenir e tratar gengivite e periodontite.
  • Garantir acesso à atenção odontológica para idosos é uma medida de saúde pública que especialistas consideram relevante, diante da possível ligação com perda cognitiva.
  • Adotar hábitos ativos: reduzir o tempo sentado e buscar atividades que elevem a frequência cardíaca, respeitando limitações individuais e orientações médicas.

Embora as evidências revisadas indiquem associações importantes entre saúde bucal, atividade física e bem‑estar cerebral em idosos, os pesquisadores defendem a necessidade de novos estudos para confirmar causalidade e avaliar intervenções que possam reduzir o risco de declínio cognitivo.

Leia também: David Dodick: “Declínio cognitivo não é inevitável” e médico defende check-up do cérebro como rotina

via G1 SAUDE E CIENCIA

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