Tratamentos de perda de peso da classe dos agonistas do GLP‑1, populares na medicina humana, avançam para a veterinária: duas biotechs dos Estados Unidos iniciaram estudos em gatos com o objetivo de reduzir o apetite e facilitar o controle de peso. A Akston Biosciences conduz avaliação clínica em parceria com a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Cornell, enquanto a Okava, em colaboração com a Vivani, desenvolve um microimplante subcutâneo de liberação prolongada.
No projeto de Cornell, a Akston investiga o AKS‑562c, um agonista de GLP‑1 de aplicação semanal voltado a gatos com sobrepeso e obesidade. Estudos preliminares em felinos do laboratório da própria universidade indicaram segurança e efeito de contenção da ingestão de alimento, o que embasou o avanço para animais de tutores atendidos em clínica.
Já a Okava/Vivani aposta no OKV‑119, um implante subdérmico que libera exenatida — um agonista de GLP‑1 — de forma contínua por meses. Pesquisas em gatos relatadas em periódicos veterinários mostraram perfil de segurança e sinais de perda de peso e melhora metabólica, sustentando o uso do dispositivo como potencial ferramenta de manejo em felinos com sobrepeso e diabetes. O programa segue em desenvolvimento para uso veterinário.
O interesse por terapias antiobesidade para pets cresce em meio a um quadro de excesso de peso generalizado. Levantamentos reconhecidos por órgãos de saúde dos EUA indicam que cerca de 61% dos gatos e 59% dos cães avaliados em clínicas veterinárias estão acima do peso ideal, reforçando a demanda por estratégias eficazes e de longa duração.
Os agonistas de GLP‑1 mimetizam um hormônio intestinal que ajuda a regular a glicose, promove saciedade e retarda o esvaziamento gástrico — mecanismos que explicam sua eficácia em humanos e motivam a adaptação para animais de companhia. Na medicina veterinária, estudos recentes discutem combinações e formulações de ação prolongada, como implantes, que podem melhorar a adesão, especialmente em gatos.
Historicamente, poucas opções farmacológicas chegaram ao consultório veterinário para emagrecimento, e uma delas para cães acabou retirada do mercado norte‑americano pelo próprio fabricante após uso limitado. A aposta atual em GLP‑1 busca contornar limitações de apetite, adesão e efeitos colaterais observados com abordagens anteriores.
Enquanto os estudos com AKS‑562c e OKV‑119 avançam, orientações de manejo seguem priorizando avaliação veterinária, ajuste alimentar e enriquecimento ambiental. Caso os resultados clínicos confirmem os sinais observados até aqui, as novas terapias poderão se somar ao arsenal para combater a obesidade felina em consultórios nos próximos anos.
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via Weight Loss