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Corrida por pílulas antiobesidade esquenta com avanço de farmacêuticas menores

Corrida por pílulas antiobesidade esquenta com avanço de farmacêuticas menores

O desenvolvimento de comprimidos para perda de peso entrou numa fase de aceleração, com biotecnológicas e grandes farmacêuticas avançando em estudos e regulações para versões orais de terapias que hoje dominam o mercado por meio de injeções semanais. O movimento ocorre em meio à pressão de preços nos Estados Unidos e à expectativa de concorrência genérica, o que tem levado analistas a revisarem projeções que apontavam para um mercado de até US$ 150 bilhões na próxima década.

Na China, a Kailera Therapeutics reportou perda de peso de até 10,9% na 44ª semana em estudo de fase avançada com um medicamento oral para obesidade. A companhia iniciou em abril um ensaio global de fase intermediária com o agonista de GLP-1 HRS-7535, com leitura de dados prevista para 2027, e também desenvolve uma versão oral de ribupatida que mostrou redução média de 12,1% do peso em 26 semanas em estudo no país.

A Novo Nordisk saiu na frente ao lançar o primeiro comprimido de GLP-1 aprovado para tratamento da obesidade nos Estados Unidos, e recebeu em maio recomendação de aval da agência reguladora europeia, abrindo caminho para a chegada da formulação oral aos principais mercados da região.

A Eli Lilly obteve aprovação norte-americana em abril para seu comprimido de orforglipron, batizado Foundayo. Em ensaio de fase final, o medicamento levou adultos com sobrepeso sem diabetes a perderem em média 12,4% do peso corporal após 72 semanas na maior dose testada. Em outro estudo, a terapia ajudou a manter a perda ponderal em pacientes que migraram das injeções de Zepbound (Lilly) e Wegovy (Novo).

A Structure Therapeutics relatou que seu comprimido diário aleniglipron atingiu até 16,3% de perda — ou 39 libras — após 44 semanas na dose de 180 mg em estudo de fase intermediária. A empresa informou que não observou sinais de lesão hepática induzida por fármaco e planeja iniciar estudo pivotal na segunda metade de 2026, após reunião com a FDA no segundo trimestre.

Entre as big pharma, a Merck prepara, em parceria com a chinesa Hansoh Pharma, testes iniciais do HS-10535, um agonista de GLP-1 de pequena molécula em estágio pré-clínico. Já a AstraZeneca, ao lado da Eccogene, avança com o elecoglipron: em ensaio de fase intermediária, pacientes emagreceram em média 10,5% após 26 semanas; no período completo de 36 semanas, a perda atingiu 11,8% na maior dose.

A Roche, após adquirir a Carmot Therapeutics, trabalha no candidato oral CT-966, que mostrou perda de peso média ajustada por placebo de 6,1% em quatro semanas em estudo inicial com pessoas com obesidade e sem diabetes. A Viking Therapeutics desenvolve uma formulação oral do VK2735, que atua em GLP-1 e GIP; no estudo de fase intermediária, a pílula levou a uma redução de 12,2% do peso corporal, e a empresa pretende iniciar estudo de fase final ainda este ano.

A Pfizer reforçou sua posição no segmento ao comprar a desenvolvedora Metsera por cerca de US$ 10 bilhões, obtendo acesso a dois candidatos orais de GLP-1 de longa ação em testes pré-clínicos. Em paralelo, a companhia e a parceira chinesa Sciwind Biosciences receberam aprovação na China para a injeção semanal Xianweiying, ampliando a competição local. A Pfizer havia interrompido o desenvolvimento do danuglipron oral após problemas de tolerabilidade em estudo intermediário.

No ecossistema chinês, outras empresas também correm para ocupar espaço. A Innovent Biologics testa o IBI3032, um GLP-1 oral, em estudos iniciais nos EUA e na China. A HuaDong Pharmaceutical divulgou perda de até 6,8% do peso em estudo inicial com seu candidato HDM1002, enquanto a Ascletis Pharma reportou redução de até 7,7% em pesquisa de fase intermediária com o ASC30 conduzida nos Estados Unidos.

Com a chegada de comprimidos potencialmente eficazes e mais fáceis de produzir, a disputa tende a se intensificar. A combinação de novas leituras clínicas, expansão geográfica e pressão competitiva deve redefinir as participações de mercado hoje lideradas por Novo Nordisk e Eli Lilly, além de acelerar o acesso dos pacientes a opções orais de tratamento contra a obesidade.

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via Weight Loss

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