Marcio André Nepomuceno Garcia, conhecido como MC Marcinho, está desde segunda-feira, 10 de julho de 2023, internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro, após ter sofrido uma parada cardiorrespiratória. Um boletim médico divulgado no dia 11 de julho informou que a equipe precisou recorrer à terapia ECMO — Oxigenação por Membrana Extracorpórea — para manter a oxigenação do artista.
O que é ECMO
A ECMO é um suporte que realiza a troca gasosa fora do organismo: o sangue é drenado para um circuito externo, passa por uma membrana onde recebe oxigênio e tem o dióxido de carbono removido, e retorna ao corpo já oxigenado. Na prática, o equipamento assume parte ou toda a função pulmonar enquanto os pulmões do paciente se recuperam.
Por que a ECMO foi usada no caso de MC Marcinho
Em alguns quadros graves, o tecido pulmonar perde a capacidade de transferir oxigênio para o sangue, mesmo com ventilação mecânica. Quando o ventilador não consegue restabelecer trocas gasosas adequadas, a ECMO é considerada como alternativa para garantir oxigenação sistêmica e dar tempo para que os pulmões ‘descansarem’ e reduzir a inflamação.
Diferença entre ECMO e ventilador mecânico
Ventilação mecânica insufla os pulmões e ajuda nas trocas gasosas dentro do tórax, mantendo pressão para evitar o colapso alveolar e favorecendo a reabilitação pulmonar. Já a ECMO substitui a função de oxigenação fora do corpo; é utilizada quando o suporte ventilatório não é suficiente ou está causando dano adicional ao parênquima pulmonar.
O paciente durante a terapia
Enquanto está em ECMO, o paciente normalmente permanece sedado e, em muitos casos, intubado. Segundo o fisioterapeuta cardiorrespiratório e de terapia intensiva Fábio Rodrigues, a membrana extracorpórea passa a controlar os níveis de oxigênio e dióxido de carbono, permitindo que o pulmão seja mantido em repouso para diminuir o processo inflamatório.
Tipos de ECMO
- Veno-venosa (VV): indicada principalmente para insuficiência respiratória. O sangue é retirado de uma veia central, oxigenado no circuito extracorpóreo e devolvido a uma veia central. Foi esse o suporte mais aplicado em pacientes com COVID-19.
- Veno-arterial (VA): usada quando há insuficiência cardíaca associada, fornecendo suporte respiratório e circulatório ao devolver o sangue diretamente ao sistema arterial.
Indicações, limitações e contraindicações
A ECMO pode ser empregada em pacientes de todas as idades — de recém-nascidos a idosos — e está disponível em hospitais de referência nas redes pública e privada. Não há prazo pré‑definido para quanto tempo alguém pode permanecer na máquina; a decisão depende da evolução clínica e de riscos como maior formação de coágulos no circuito ou sangramentos.
Entre as situações em que o uso da ECMO costuma ser desencorajado estão:
- falência multiorgânica;
- doenças pulmonares ou cardiovasculares irreversíveis;
- dano pulmonar extenso após longo período em ventilação mecânica;
- coagulopatia grave ou hemorragia ativa;
- anomalias congênitas incompatíveis com suporte prolongado.
Contexto recente
A ECMO ganhou maior visibilidade durante a pandemia de COVID‑19, quando foi utilizada em casos graves de síndrome do desconforto respiratório agudo. A terapia ajudou a salvar dezenas de pacientes, embora também tenha sido associada a desfechos fatais em casos muito avançados — entre as ocorrências notórias está o uso no tratamento do ator Paulo Gustavo, que morreu em 2021 após longa internação.
No caso de MC Marcinho, a equipe médica entendeu que a oxigenação extracorpórea era necessária devido à incapacidade dos pulmões em realizar trocas gasosas adequadas. A equipe continua a monitorar sinais de melhora pulmonar, possíveis complicações no circuito e outros parâmetros que definem a viabilidade de manter ou interromper o suporte.
Atualizado em 12/07/2023 às 07h09.
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