Um estudo conduzido pelo Laboratório de Distúrbios do Metabolismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) relaciona o uso contínuo de óleo de coco como suplemento a aumento de peso, ativação de processos inflamatórios e alterações comportamentais em camundongos.
Como foi o experimento
Segundo o professor Márcio Alberto Torsoni, doutor em biologia funcional e molecular, os pesquisadores administraram a um grupo de camundongos saudáveis, durante oito semanas, uma dose diária de óleo de coco equivalente ao consumo humano de aproximadamente uma colher de sopa. O estudo está registrado com o DOI 10.1016/j.jff.2023.105600.
O que os pesquisadores viram
- Ganho de peso e aumento do tecido adiposo;
- Ativação de marcadores inflamatórios no organismo;
- Alterações em hormônios-chave do metabolismo, como leptina e insulina, que interferem na sensação de saciedade e no controle da glicemia;
- Mudanças de comportamento relacionadas à ansiedade e ao aprendizado;
- Alterações observadas no hipocampo, região cerebral associada à ansiedade e ao processamento de memória.
De acordo com Torsoni, o acúmulo de gordura e a inflamação silenciosa prejudicam a capacidade do corpo de responder a sinais hormonais, o que pode reduzir a sensação de saciedade e favorecer o aumento da ingestão alimentar e do depósito de gordura.
Do inflamação periférica ao impacto no cérebro
Os cientistas identificaram que moléculas inflamatórias geradas no tecido adiposo podem alcançar o sistema nervoso central e afetar neurônios do hipocampo. Em exames histológicos, houve aumento da presença de macrófagos no tecido adiposo dos animais suplementados, indicando resposta inflamatória local.
Por que o óleo de coco pode ser problemático
O pesquisador ressalta que o óleo de coco tem elevada proporção de gordura saturada — tipo de gordura encontrada com frequência em produtos de origem animal, como a banha — e que o consumo crônico desse perfil lipídico está associado a processos inflamatórios. No experimento com camundongos, esse mecanismo foi relacionado às alterações metabólicas e comportamentais observadas.
Consumo considerado seguro e orientações
Torsoni afirma que o uso do óleo de coco em pequenas quantidades pode ser compatível com uma alimentação saudável, conforme as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. O ponto central, segundo ele, é evitar exageros e manter uma dieta equilibrada.
O pesquisador também chama atenção para a popularização do óleo de coco em redes sociais e outras mídias nos últimos anos, o que levou muitas pessoas a adotarem a suplementação sem respaldo científico adequado. Ele reforça a necessidade de basear escolhas alimentares em evidências e buscar orientação profissional quando houver dúvidas.
Referência do estudo: DOI 10.1016/j.jff.2023.105600 (Laboratório de Distúrbios do Metabolismo, Unicamp).