A prevalência de obesidade entre adultos nos Estados Unidos mostrou um recuo em 2023, após anos de crescimento contínuo. O sinal levanta a hipótese de um possível ponto de virada, impulsionado pela popularização de medicamentos à base de GLP‑1 e maior atenção à gestão do peso. Especialistas, porém, ressaltam que o patamar geral segue alto e que ainda é cedo para cravar uma mudança estrutural.
Uma análise de registros clínicos e de seguros envolvendo 16.743.822 adultos, acompanhados de 2013 a 2023, identificou a primeira queda anual em uma década. No conjunto avaliado, a proporção de pessoas com obesidade passou de 46,2% (2021) para 46,0% (2022) e 45,6% (2023). No mesmo estudo, a dispensação de agonistas do receptor de GLP‑1 para perda de peso — classe que inclui princípios ativos desenvolvidos inicialmente para diabetes tipo 2 — variou por região, com maior uso no Sul do país, sugerindo contribuição desses tratamentos para a inflexão observada.
Os números de vigilância oficial com medidas diretas também ajudam a contextualizar o cenário. Segundo a pesquisa nacional por exames de saúde e nutrição de 2021–2023, a obesidade atingiu 40,3% dos adultos, e a obesidade grave chegou a 9,7%. No período mais recente acompanhado, a prevalência geral não mudou de forma estatisticamente significativa, o que indica estabilidade em um patamar elevado, enquanto a forma grave continua crescendo.
As metas públicas reforçam o desafio. O objetivo “Healthy People 2030” é reduzir a obesidade adulta para 36%. A estimativa consolidada mais recente para 2021–2023 está em 40,2%, acima do desejado, o que demanda expansão de prevenção, acesso a cuidados e tratamentos eficazes.
As projeções também pedem cautela. Modelagens publicadas em revista científica estimam que a proporção de adultos com obesidade nos EUA, que era de 42,5% em 2022, pode alcançar 46,9% até 2035, com grande variação entre estados e grupos populacionais. Ou seja: sem mudanças sustentadas, a tendência de longo prazo ainda aponta para avanço.
As disparidades permanecem marcantes. Em 2021–2023, a prevalência foi maior entre mulheres (41,1%) do que entre homens (39,1%) e chegou a 51,4% entre adultos negros não hispânicos, contra 13,2% entre asiáticos não hispânicos. Essas diferenças refletem determinantes sociais e de acesso, e ajudam a explicar por que a adoção de terapias e políticas pode surtir efeitos distintos conforme a região e o grupo demográfico.
O que observar a seguir: a disponibilidade e a cobertura de medicamentos antiobesidade, a adesão prolongada a mudanças de estilo de vida e a ampliação de políticas ambientais e de alimentação saudável. Resultados cardiometabólicos tendem a responder primeiro; a dúvida é se o recuo de 2023 se consolidará em um declínio persistente.
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via Weight Loss