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Dieta cetogênica ganha força como aliada no tratamento de transtornos mentais

Dieta cetogênica ganha força como aliada no tratamento de transtornos mentais

Pesquisadores têm observado que intervenções alimentares podem complementar o tratamento de transtornos mentais. Entre elas, a dieta cetogênica — rica em gorduras, moderada em proteínas e com baixo teor de carboidratos — desponta como candidata promissora. A abordagem, conhecida há um século no controle da epilepsia, começa a ser estudada de forma sistemática em quadros como esquizofrenia e transtorno bipolar.

No contexto de alta prevalência de problemas de saúde mental entre adultos, equipes acadêmicas vêm testando a cetogênica como adjuvante a medicações e terapias. Em um estudo-piloto conduzido por pesquisadores de uma universidade norte-americana com 21 adultos diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar e alterações metabólicas associadas ao uso de antipsicóticos, quatro meses de orientação nutricional para induzir cetose resultaram em melhora média de 31% em uma escala padronizada de gravidade psiquiátrica. Três em cada quatro participantes apresentaram melhora clinicamente relevante, e marcadores metabólicos também evoluíram de forma favorável.

Resultados randomizados começam a surgir. Em 2026, um ensaio controlado relatou que a dieta cetogênica melhorou marcadores metabólicos, sintomas psiquiátricos e desempenho cognitivo em pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia e transtorno bipolar I, reforçando a necessidade de estudos maiores e com acompanhamento prolongado para confirmar benefícios e identificar perfis de resposta.

A hipótese central por trás dessa linha de pesquisa é metabólica: ao mudar a principal fonte de energia do cérebro de glicose para corpos cetônicos, a dieta poderia modular a excitabilidade neuronal, reduzir processos inflamatórios e influenciar vias de neurotransmissão, com possíveis reflexos no humor, no pensamento e no comportamento. Revisões recentes da literatura também destacam a interação entre alimentação, atividade física, eixo intestino-cérebro e inflamação de baixo grau como mecanismos que podem afetar ansiedade e depressão.

Apesar do entusiasmo, especialistas enfatizam que a estratégia não substitui tratamentos convencionais e exige acompanhamento profissional, sobretudo em pessoas com comorbidades metabólicas ou histórico de transtornos alimentares. Há relatos de efeitos adversos em subgrupos — como episódios de hipomania ou mania em indivíduos com transtorno bipolar logo após o início da intervenção — que reforçam a importância de monitoramento clínico, ajuste individualizado e uso como parte de um plano terapêutico integrado.

Com um século de uso consolidado na epilepsia e um corpo crescente de evidências em psiquiatria, a dieta cetogênica surge como possível ferramenta adicional para manejo de sintomas em transtornos mentais graves. A próxima etapa passa por ensaios multicêntricos, protocolos padronizados e diretrizes clínicas que definam para quem, quando e como aplicar a intervenção com segurança.

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via Weight Loss

Sobre o autor

Ademar D. Batista

"Editor do portal Saúde Energética. Técnico e entusiasta de biohacking, utiliza sua sólida formação analítica para investigar as mais recentes descobertas científicas sobre longevidade, nutrição funcional e saúde preventiva. Dedica-se a traduzir estudos biomédicos complexos em hábitos simples e práticos para quem busca envelhecer com alta performance."

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