A Novo Nordisk anunciou cortes no preço do antiobesidade Wegovy na China, medida reportada na última semana de dezembro de 2025 e interpretada pelo mercado como uma ação preventiva diante da iminente chegada de versões concorrentes após a expiração da patente do princípio ativo semaglutida em 2026.
Fontes locais citadas pela imprensa chinesa informaram que, em algumas províncias, os valores de tabela das dosagens mais elevadas foram reduzidos em cerca de 48%, para aproximadamente ¥987 e ¥1.284 por mês, respectivamente — ajustes que já começaram a ser aplicados em compras públicas e distribuições regionais.
A ação ocorreu no mesmo momento em que a concorrente Eli Lilly também ajustou o preço de seu medicamento Mounjaro na China, em meio a uma disputa por fatia de mercado e à expectativa de maior concorrência de fabricantes locais.
Wegovy foi lançado no mercado chinês em novembro de 2024, enquanto Mounjaro começou a ser comercializado no país em janeiro de 2025, segundo documentos e apresentações da indústria. A proximidade da perda de exclusividade em 2026 motivou decisões comerciais para preservar acesso e adoção de tratamento.
Analistas e autoridades locais destacam que a China representa um mercado em rápida expansão para medicamentos antiobesidade: projeções citadas pela imprensa apontam que mais de 65% da população poderá estar acima do peso ou em situação de obesidade até 2030, reforçando o incentivo das empresas a ajustar preços e estratégias comerciais.
Relatos também indicam que a farmacêutica justificou a redução como forma de aliviar o custo para pacientes e melhorar a adesão ao tratamento, e que as entregas com preços ajustados começaram a ser programadas para janeiro, conforme autoridades locais e distribuidores.
Especialistas do setor dizem que cortes de preço antes do fim da patente são uma estratégia comum para mitigar o impacto da concorrência genérica e manter volumes de vendas e acesso do paciente. No curto prazo, a redução tende a aumentar a demanda por tratamentos à base de semaglutida na China e a pressionar concorrentes a adotar políticas de preço mais agressivas.
Leia também: Provedores online autorizados a prescrever medicamentos para emagrecimento nos EUA — quem são e como funcionam