As prescrições de medicamentos para perda de peso da classe dos agonistas do receptor GLP‑1 cresceram 310 vezes entre 2019 e junho de 2026 entre crianças norte‑americanas de 8 a 11 anos com obesidade e sem diabetes, segundo estudo publicado em 4 de setembro de 2026 na revista Pediatrics. Apesar da escalada, o uso permanece incomum: apenas 0,6% das mais de 3,5 milhões de crianças analisadas receberam ao menos uma receita.
Conduzida por pesquisadores da NYU Langone Health, a análise utilizou o banco Epic Cosmos e reuniu dados de 3.520.531 crianças com obesidade e sem diabetes. Ao longo do período, 20.282 pacientes dessa faixa etária foram prescritos com GLP‑1. A prevalência saltou de 0,03% em 2019 para 9,3% em 2026.
O perfil das prescrições indica priorização clínica dos quadros mais complexos. De acordo com os autores, 93,7% das crianças que receberam GLP‑1 tinham obesidade grave, e 65,2% apresentavam ao menos uma comorbidade relacionada ao excesso de peso, como dislipidemia, hipertensão ou apneia do sono. Meninas e os mais velhos dentro do recorte (11 anos) tiveram maior probabilidade de receber a medicação. Crianças que vivem em comunidades de maior renda foram 55% mais propensas a ser prescritas, evidenciando disparidades de acesso.
Os resultados aparecem em um cenário regulatório específico: nos Estados Unidos, a semaglutida (Wegovy) e a liraglutida (Saxenda) têm indicação para manejo crônico do peso em adolescentes a partir de 12 anos, enquanto nenhuma terapia dessa classe possui aprovação para uso em menores de 12 anos — o que torna off‑label as receitas nessa faixa etária. Já o tirzepatida (Zepbound) não tem eficácia e segurança estabelecidas em pediatria.
Diretrizes clínicas recentes amparam a ampliação do arsenal terapêutico em pediatria. Documentos citados pelos autores e análises de vigilância em saúde mostram que, entre adolescentes, as prescrições de medicamentos para obesidade também aceleraram nos últimos anos, em parte após a incorporação de opções farmacológicas nas recomendações de cuidado publicadas em 2023.
Para os pesquisadores, os dados sugerem que médicos têm reservado os GLP‑1 principalmente para crianças com maior risco cardiometabólico. Eles defendem acompanhamento próximo desses pacientes e apontam a necessidade de reduzir barreiras de acesso, inclusive financeiras, à medida que o uso cresce. Ensaios clínicos com idades ainda menores estão em andamento e devem orientar decisões futuras.
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via Weight Loss