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Como parar de beber depois dos 60: 8 erros a evitar e 8 estratégias que ajudam

Como parar de beber depois dos 60: 8 erros a evitar e 8 estratégias que ajudam

Em maio de 2015, aos 63 anos, a britânica Janet Gourant decidiu interromper um padrão de consumo pesado que já durava décadas. Autora da metodologia Tribe Sober, criada após ter buscado apoio em grupos no exterior e não se adaptar às redes locais enquanto morava na África do Sul, ela hoje, aos 70 anos, descreve a sobriedade como um “superpoder” e incentiva uma postura de ruptura com hábitos automáticos.

Ao longo de sua trajetória, Janet identificou episódios que a fizeram reconhecer a dependência: por volta dos 25 anos teve um apagão e acordou no hospital sem lembrar o que houve; aos 50, ao enfrentar um câncer de mama, descobriu que o consumo aumentava o risco da doença; e já na casa dos 60 viveu um blecaute durante uma viagem com amigos, quando perdeu cerca de oito horas do dia anterior.

Insatisfeita com as opções de apoio no país onde residia, ela recorreu a um grupo na Inglaterra e, posteriormente, sistematizou sua experiência no projeto Tribe Sober (acesse tribesober.com).

Oito erros que Janet recomenda evitar

  1. Esperar pelo fundo do poço: acreditar que só quem perdeu tudo seria alcoólatra. Janet reconheceu tarde demais o problema porque ainda dava conta das tarefas diárias.
  2. Apostar na moderação: tentar estabelecer um número “seguro” de drinques por semana costuma falhar quando já existe dependência.
  3. Temer a própria tentativa: o medo de fracassar paralisa e impede o primeiro passo rumo à abstinência.
  4. Priorizar a aceitação alheia: ceder à pressão social e ao desejo de agradar pode manter a pessoa presa a hábitos que prejudicam a recuperação.
  5. Ser influenciado pelo marketing do álcool: rótulos e narrativas que associam bebidas a estilo de vida e celebração contribuem para normalizar o consumo.
  6. Achar que a sobriedade trará felicidade automaticamente: parar de beber não resolve, por si só, questões da vida cotidiana e do bem‑estar emocional.
  7. Enxergar a vida sem álcool como necessariamente triste: a dificuldade em imaginar diversão ou socialização sem bebidas pode atrasar a mudança.
  8. Tentar ficar sóbrio isoladamente: vergonha ou orgulho de resolver tudo sozinho impede a busca por comunidades e ajuda especializada.

Oito dicas práticas para prosseguir

  1. Comece hoje: quanto mais tempo passa, maior a probabilidade de agravamento da dependência.
  2. Descartar a ideia de moderação: quando o controle já não existe, tentar limitar o consumo costuma ser ineficaz.
  3. Valorizar o progresso incremental: ter como metas dias e semanas sem beber — e comemorar cada conquista — ajuda a construir períodos mais longos de abstinência.
  4. Tenha respostas prontas para questionamentos: motivos simples e claros (por exemplo, problemas de sono, alterações em exames ou impacto no treino) ajudam a encerrar discussões rapidamente.
  5. Reavaliar crenças sobre o álcool: perguntar-se se realmente é preciso um drinque para relaxar ou socializar e buscar alternativas para esses objetivos.
  6. Reorganizar a rotina: abandonar o hábito exige mudanças em horários, atividades e convívios; é necessário buscar interesses e grupos que não girem em torno da bebida.
  7. Focar nos benefícios: a interrupção do consumo costuma melhorar sono, aparência, energia e saúde em geral — usar esses ganhos como incentivo.
  8. Encontrar uma tribo de apoio: conectar‑se com outras pessoas em processo semelhante reduz a sensação de isolamento; pesquisas apontam que cerca de 20% dos bebedores sociais podem evoluir para dependência ao longo dos anos.

Para quem busca orientação prática, a experiência de Janet ilustra que reconhecer o problema, abandonar a tentativa de controlar a quantidade quando já há dependência e procurar suporte coletivo ou profissional são passos centrais. Sua metodologia e comunidade podem ser consultadas no site mencionado.

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via G1 SAUDE E CIENCIA

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