Controle do colesterol agora está mais rígido: Novas metas para proteger o coração

Controle do colesterol agora está mais rígido: Novas metas para proteger o coração

A nova sigla que pode mudar seu check-up: Lp(a)

Na próxima vez que você for ao médico para um check-up, não se surpreenda ao encontrar uma nova sigla em seus exames: Lp(a). Conhecida entre os cardiologistas como ‘Lp-azinho’, essa sigla se refere à lipoproteína (a), que, apesar do nome inofensivo, é uma das maiores ameaças à saúde cardiovascular. André Zimerman, cardiologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, destaca que ela ganhou o apelido de ‘colesterol amaldiçoado’.

A Lp(a) é uma variante do colesterol LDL, o popular ‘colesterol ruim’, mas com um potencial cinco vezes mais agressivo para as artérias. Altos níveis de Lp(a), que são determinados geneticamente, aumentam significativamente o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Por esse motivo, a medição da Lp(a) foi incorporada às novas diretrizes de controle do colesterol, elaboradas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Mudanças nas diretrizes: um foco mais rigoroso

As novas diretrizes brasileiras de dislipidemias e prevenção da aterosclerose, apresentadas no 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, em São Paulo, trazem metas mais rigorosas para o controle do colesterol LDL. Além disso, a diretriz enfatiza a importância de identificar precocemente o risco cardiovascular, considerando uma lista ampliada de fatores.

Fabiana Rached, cardiologista do Instituto do Coração (InCor), explica que a atualização da diretriz de 2017 mantém o foco na estratificação de risco, mas com uma abordagem mais refinada e individualizada. A nova diretriz introduz o conceito de ‘risco extremo’, visando identificar indivíduos que necessitam de intervenções mais intensivas.

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Desconhecimento e a urgência de popularizar informações

Um dos principais objetivos da nova diretriz é expandir e popularizar as recomendações não apenas entre os médicos, mas também entre os pacientes. Isso é crucial, uma vez que cerca de 40% da população adulta no Brasil convive com o colesterol alto, muitas vezes sem saber.

Um levantamento da Global Heart Hub, em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vida, revelou que apenas metade dos brasileiros com colesterol elevado associa o problema ao risco de doenças cardiovasculares. Além disso, 50% dos entrevistados não mudaram o estilo de vida após o diagnóstico e desconheciam a importância dos medicamentos para controlar o colesterol.

Avanços terapêuticos e a importância do tratamento precoce

José Francisco Saraiva, cardiologista e professor da PUC-Campinas, destaca que atualmente dispomos de um arsenal terapêutico capaz de reduzir drasticamente os níveis de colesterol, especialmente em indivíduos de alto risco. Nos últimos anos, foram introduzidas pelo menos seis novas medicações, incluindo drogas biológicas e tratamentos que atuam no RNA das células do fígado.

Essas inovações se somam às tradicionais estatinas, que, por enquanto, são as únicas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova diretriz visa não apenas mostrar o progresso na cardiologia, mas também reduzir as desigualdades no acesso ao tratamento de ponta.

Prevenção desde cedo: um olhar para o futuro

A diretriz da SBC também enfatiza a importância de começar a cuidar do coração desde a infância. As doenças cardiovasculares têm uma trajetória lenta e silenciosa, e a prevenção deve começar o quanto antes.

Roberto Kalil Filho, presidente do Conselho Diretor do InCor, alerta que o colesterol alto pode levar a condições graves como infarto, AVC e doença arterial periférica. Por isso, exames de sangue e imagem devem fazer parte do check-up regular, permitindo intervenções precoces e eficazes.

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O papel da genética e a nova era da medicina de precisão

A nova diretriz também destaca a importância de considerar fatores genéticos, como a presença de Lp(a), que é herdada geneticamente e pode aumentar o risco de infarto precoce. Flávia Coimbra, diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica que a Lp(a) é formada por uma combinação de LDL com apolipoproteína (a), tornando-a mais propensa a aderir às paredes dos vasos sanguíneos.

O cardiologista Peter Libby, professor da Universidade de Harvard, celebra a perspectiva de novos tratamentos baseados em genética, que poderão prevenir e melhorar o tratamento de famílias com Lp(a) elevada. Ele destaca que, embora ainda não possamos comemorar, já podemos nos preparar para as futuras inovações terapêuticas.

Quando tratamos o colesterol alto, o objetivo final não é baixar as taxas. É impedir que você tenha um infarto e deixe de ir à formatura do seu neto.

Tipo de Lipoproteína Descrição Risco Associado
LDL Lipoproteína de baixa densidade Colesterol ‘ruim’, pode acumular nas artérias
HDL Lipoproteína de alta densidade Colesterol ‘bom’, ajuda a remover gordura dos vasos
Triglicérides Principal tipo de gordura no corpo Reserva de energia, mas deve ser controlado
Lp(a) Lipoproteína (a) Aumenta o risco de problemas cardiovasculares
Apo-B Apolipoproteína-B Marcador associado ao colesterol ruim, mede riscos do LDL

Fonte: saude.abril.com.br

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