Introdução
Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Copenhague, apresentado na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Viena, trouxe à tona um tema relevante: a eficácia dos exercícios físicos na proteção do corpo contra doenças cardiovasculares, mesmo na ausência de medicamentos. A pesquisa focou em adultos obesos, mas sem diabetes, comparando a prática de atividades físicas com o uso de medicamentos que simulam a ação do hormônio GLP-1, como a liraglutida.
Exercícios Físicos versus Medicamentos
A pesquisa dinamarquesa investigou a eficácia dos exercícios físicos em comparação com a liraglutida, um medicamento comumente utilizado para tratar diabetes tipo 2 e obesidade. A liraglutida tem demonstrado reduzir o desenvolvimento de aterosclerose, uma condição que pode levar a doenças cardiovasculares graves. No entanto, o estudo indicou que a prática regular de exercícios físicos oferece um efeito protetor mais significativo.
Os pesquisadores destacaram que a aterosclerose é uma das principais causas de doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte globalmente. Essa condição crônica é caracterizada por inflamação e depósitos de gordura que endurecem e estreitam as artérias, podendo resultar em complicações como ataques cardíacos e derrames.
Metodologia do Estudo
O estudo envolveu 215 adultos entre 18 e 65 anos com obesidade, mas sem diabetes ou outras doenças crônicas graves. Inicialmente, os participantes seguiram uma dieta hipocalórica de 800 kcal por dia, durante oito semanas. Os 195 voluntários que perderam pelo menos 5% do peso corporal foram divididos aleatoriamente para aderir a diferentes estratégias de manutenção de peso ao longo de um ano.
As estratégias incluíram exercícios de intensidade moderada a vigorosa por 150 minutos semanais combinados com um placebo, tratamento com liraglutida, uma combinação de exercícios e liraglutida, ou apenas placebo. Os pesquisadores mediram biomarcadores inflamatórios e realizaram ultrassonografias da artéria carótida para avaliar a saúde cardiovascular dos participantes.
Resultados e Conclusões
Após um ano, tanto os participantes que se exercitaram quanto os que usaram liraglutida mantiveram a perda de peso. Entretanto, aqueles que seguiram um programa de exercícios apresentaram níveis mais baixos de biomarcadores inflamatórios e melhorias na função endotelial, além de uma redução na espessura da artéria carótida. Esses benefícios não foram observados nos participantes que usaram apenas a liraglutida.
Rasmus Sandsdal, autor principal do estudo, destacou que o exercício regular parece oferecer uma proteção significativa contra o desenvolvimento de aterosclerose, independente da perda de peso. O exercício melhora a composição corporal e a aptidão cardiorrespiratória, contribuindo para a saúde cardiometabólica.
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Implicações Sociais e Econômicas
Signe Sorensen Torekov, coautora do estudo, enfatizou a importância do exercício físico na manutenção da saúde a longo prazo, especialmente em indivíduos que buscam manter a perda de peso. Dada a carga social e econômica das doenças cardiovasculares relacionadas à obesidade, a prática regular de exercícios surge como um componente crucial para o controle de peso e a saúde cardíaca.
Os pesquisadores sugerem que futuros estudos devem investigar os efeitos combinados de exercícios físicos e novos medicamentos GLP-1RAs em tratamentos prolongados, visando otimizar os benefícios para a saúde cardiovascular.
Alterações no Paladar e Controle do Apetite
Outro estudo apresentado na mesma reunião em Viena explorou os efeitos dos medicamentos GLP-1, como ozempic, wegovy e mounjaro, na percepção do paladar e controle do apetite. Liderado por Othmar Moser, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, a pesquisa revelou que cerca de um quinto dos usuários desses medicamentos percebeu a comida como mais doce ou salgada, associando essas mudanças à redução do apetite.
A pesquisa indicou que essas terapias afetam não apenas o sistema digestivo e o cérebro, mas também as células gustativas e as áreas cerebrais que processam o paladar e a recompensa. Isso pode resultar em alterações sutis na percepção de sabores fortes, influenciando o apetite e a saciedade, o que pode auxiliar na seleção e aconselhamento de terapias mais personalizadas para perda de peso.
“Nossas descobertas revelam que a prática regular de exercícios é crucial para ajudar pessoas que vivem com obesidade a obter todos os benefícios cardiovasculares após uma perda de peso substancial.” – Rasmus Sandsdal, Universidade de Copenhague
Fonte: www.correiobraziliense.com.br
